domingo, 25 de dezembro de 2011

(a respeito do texto anterior...)


A imagem do velhinho vermelho, nós sabemos, foi fruto de uma campanha publicitária realizada pela Coca-cola. Não a criação do velhinho em si: esse gordo de origem polar que, isolado do resto do mundo, tinha como hobie confeccionar brinquedos durante todo o ano. O que a Coca fez foi colocar nele um traje vermelho, transformando-o num slogan itinerante. Isso em 1930. Desde então nos acostumamos. E foi tão fácil, não é? Incluam-se aí as inúmeras produções do mercadão hollywoodiano que, paulatinamente, foram incurtindo um “hohoho” rechonchudo em nossas mentes de dezembro. O barulhinho dos guizos (infernal, diga-se de passagem) virou marca também.
Se não me engano foi na prefeitura de Rafael Greca que surgiu a proposta de recuperar a roupagem verde do Noel. Você lembra dessa? A ideia de um “Bom Velhinho Verde” era simbolizar, ao mesmo tempo, o “tradicionalismo” e a “originalidade” de Curitiba. (Pensando bem, não há como se enganar!: Foi no governo Greca, é claro!).
Na época, o pessoal criticou: “Tanta coisa pra pensar e os governantes se preocupam em gastar dinheiro numa campanha para mudar a cor do papai Noel?”.
As críticas têm fundamento porque:
1) O senso comum ordena que as questões “culturais” sejam vistas como supérfluas e banais, enquanto as coisas realmente “sérias” sejam aquelas que tratam de assuntos relativos a dinheiro.
2) O senso comum ordena que a população faça críticas irônicas sobre qualquer tema mais ou menos incomum que borbulhe na esfera governamental. (Parte-se do princípio de que um governante deve governar, e não, ora essa, ter ideias).
3) O senso comum (no caso, a Coca-cola) ordena que não se altere uma tradição “milenar” como a do Papai Noel vermelho.
4) Achamos que a Coca-cola pode mudar a roupa do Noel, o Greca (ou qualquer outro brasileiro), não.
5) Não pensamos.
O que, todavia, os incrédulos não supunham é que, sim, Curitiba teve MESMO o seu Papai Noel verde, o que legitimaria, portanto, a proposta de um Noel diferenciado para a nossa cidade. É a “Lenda do Velhinho do Saco Verde”, exposta abaixo.

Ops (digo, Obs): Por favor, não me entenda mal. Esses textos não pretendem de modo algum criticar o “destrutivo sistema capitalista a que estupidamente nos sujeitamos”, nem ironizar o “espírito de futilidade mercantil que nos invade na época do Natal”, etc. Eu mesmo, neste exato momento, estou de saída para saquear uns shoppings antes do almoço...

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