sábado, 27 de agosto de 2011

O CACHORRO-DE-MIM (SONHOS EM AGOSTO)

I


Hoje descobri aparvalhado

- porque me contaram

e quando vim ver era mesmo -

Eu vivia num quadrado!:

Um cachorro! Isso mesmo!

Um cachorro!

Eu quadrado.

Eu!!!

Au!!!

Vejo as patas, o rabinho abanando!

Sinto escorrer-me a baba,

sou baixíssimo suplicante!

Corro ao redor de mim mesmo, otário!

“Deus, que sonho idiota!”,

sonhei ao mesmo tempo.


II


Mas, percebam!:

Se é que eu acordei, pude refletir!

Nós somos mesmo.

Eu sou mesmo o cachorro-de-mim!

Entendem?


III


Em agosto os homens índios vêm roer nossas dores.

É quando minhas mãos cheiram a cachorros.

Meu nariz vai até a esquina,

focinho.

Nem dou por isso.

Ah, não! Este sonho de novo, não!,

conjecturo.

Minhas roupas cheiram mal, quentes.

Um gigante

tamanho-de-tufão / pés-de-formigas.

Preciso de um café.

Mas minhas patas de cachorro!

Preciso de um café, suplico.

Melhor não tocar nada.

Um café! Por favor!

Ergo a patinha ridícula.

Babo mais um pouco.


IV


Quisera ter uma astronave e ser o capitão.

O capitão da astronave!

Mas apenas vou até a janela,

coloco a mente para fora, devagarinho,

e canto: “- Au de mim! Au de mim...!”...




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