I
Hoje descobri aparvalhado
- porque me contaram
e quando vim ver era mesmo -
Eu vivia num quadrado!:
Um cachorro! Isso mesmo!
Um cachorro!
Eu quadrado.
Eu!!!
Au!!!
Vejo as patas, o rabinho abanando!
Sinto escorrer-me a baba,
sou baixíssimo suplicante!
Corro ao redor de mim mesmo, otário!
“Deus, que sonho idiota!”,
sonhei ao mesmo tempo.
II
Mas, percebam!:
Se é que eu acordei, pude refletir!
Nós somos mesmo.
Eu sou mesmo o cachorro-de-mim!
Entendem?
III
Em agosto os homens índios vêm roer nossas dores.
É quando minhas mãos cheiram a cachorros.
Meu nariz vai até a esquina,
focinho.
Nem dou por isso.
Ah, não! Este sonho de novo, não!,
conjecturo.
Minhas roupas cheiram mal, quentes.
Um gigante
tamanho-de-tufão / pés-de-formigas.
Preciso de um café.
Mas minhas patas de cachorro!
Preciso de um café, suplico.
Melhor não tocar nada.
Um café! Por favor!
Ergo a patinha ridícula.
Babo mais um pouco.
IV
Quisera ter uma astronave e ser o capitão.
O capitão da astronave!
Mas apenas vou até a janela,
coloco a mente para fora, devagarinho,
e canto: “- Au de mim! Au de mim...!”...

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