Os cobertores voavam de susto pelo quarto. Eu ouvia umas vozes num gravador antigo nas orelhas da parede. Quase como insetos juntando ao redor. Não que nos quisessem devorar, os insetos - pior que isso. Ficavam ali espionando com olhículos tão estranhos que o medo que eu tinha era o do que eles podiam ver com os óculos dos olhículos. O efeito psicológico era o de um prato branco sendo arrastado no assoalho da sala, te espantando no meio da noite. Entende? Um susto branco. Lençóis, que mordem nossos joelhos. Mas não é um susto, é você mesmo espantando os cobertores e escutando o Medo nas bocas das paredes. Dentro da engenharia do crânio você tenta ancorar-se na lógica. Mas é tarde: Um inseto já te demora um olhar que vai desde o começo. Gostaria de retê-lo. Mas eu podia? Eu poderia derretê-lo?
Mas não! “Aqui mando eu!”, gritou o narrador!
E saí para buscar o revólver!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
O MEDO (conto psicodélico)
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