segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O MEDO (conto psicodélico)


Os cobertores voavam de susto pelo quarto. Eu ouvia umas vozes num gravador antigo nas orelhas da parede. Quase como insetos juntando ao redor. Não que nos quisessem devorar, os insetos - pior que isso. Ficavam ali espionando com olhículos tão estranhos que o medo que eu tinha era o do que eles podiam ver com os óculos dos olhículos. O efeito psicológico era o de um prato branco sendo arrastado no assoalho da sala, te espantando no meio da noite. Entende? Um susto branco. Lençóis, que mordem nossos joelhos. Mas não é um susto, é você mesmo espantando os cobertores e escutando o Medo nas bocas das paredes. Dentro da engenharia do crânio você tenta ancorar-se na lógica. Mas é tarde: Um inseto já te demora um olhar que vai desde o começo. Gostaria de retê-lo. Mas eu podia? Eu poderia derretê-lo?
Mas não! “Aqui mando eu!”, gritou o narrador!
E saí para buscar o revólver!


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