Hoje descobri aparvalhado, em meio à noite (no sonho haviam me contado e quando fui ver ver era mesmo): Eu vivia num quadrado! - Um cachorro!
Isso mesmo! Um cachorro, entendem?!
Eu!!! Um cachorro!
Eu!!!
Au!!!
Vejo as patas, o rabinho abanando! Sinto escorrer-me a baba, sou baixíssimo suplicante! Corro ao redor de mim mesmo, otário!
“Deus! Que sonho idiota!”, sonhei ao mesmo tempo.
De novo dentro do próprio sonho, expliquei, compondo: "é que em agosto os homens índios vêm roer nossas unhas..."
Tudo esclarecido.
Em agosto minhas mãos cheiram a cachorros. Meu nariz vai até a esquina, um focinho. Minhas roupas cheiram mal, cobertores mendigos. Nem dou mais por isso. Mas preciso de um café.
Ergo a patinha:
- Um café, por favor!, grito pro tio do boteco.
Babo mais um pouco.
Ele vem, se apoia no balcão e me diz:
- Quisera ter uma astronave e ser o capitão. Entende?: O capitão da astronave! Mas vou apenas até a janela, coloco os olhos afora, devagarinho, e canto.
Então repetimos em uníssono: “- Au de mim! Au de mim...!”

4 comentários:
u au! Bacana! gosto de histórias assim. Andre.
opa... que legal reencontrá-lo por esse mundo virtual Marcelo... fui seu aluno em tempos idos... e está bem legal o blog... abraço
Adorei, sempre bom ler vc! Bjo
Muito bom!
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